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BRADESCO CORTA JURO NO CRÉDITO CONSIGNADO

Enquanto o Banco do Brasil corrige os excessos nos cortes nos juros para empresas, outro movimento relevante observado em levantamento feito pelo Valor com base em dados do Banco Central foi o corte das taxas média efetivas praticadas pelo Bradesco nas linhas de crédito consignado.

O juro cobrado dos servidores públicos caiu de 1,85% para 1,66% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, uma redução de 10%, que coloca a taxa do banco como a segunda mais competitiva entre as instituições de grande porte. Nos empréstimos para os aposentados do INSS, o corte foi ainda maior, de 15%, saindo de 2,34% para 1,97% mensais.

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Oficialmente, o banco informou, em nota, que não mudou as taxas mínimas e máximas praticadas nas linhas. Mas disse que “a taxa pode sofrer pequenas alterações conforme o perfil diário das contratações das operações”.

O que ficou claro com a divulgação do balanço da instituição na segunda-feira é que a taxa menor tem ajudado a garantir volume. O saldo de crédito consignado do Bradesco cresceu 8,1% entre março e junho, para R$ 24,26 bilhões, só ficando atrás da alta de 8,5% observada no financiamento imobiliário. No total, a carteira de pessoas físicas cresceu apenas 3,6%.

Em teleconferência ontem com analistas, o Bradesco disse que aposta na manutenção de um cenário bastante competitivo para o mercado de crédito este ano, o que deve evitar a elevação do spread, que se manteve em 7,2% no banco de janeiro a junho, e pode levar até a uma queda para 7%. “Esperamos mais competição neste ano, com os bancos privados prevendo crescer mais”, disse Luiz Carlos Angelotti, diretor de relações com investidores do banco. Questionado sobre os bancos públicos, contudo, Angelotti considera que a concorrência está mais “saudável” em 2013 do que no ano passado – o que corrobora os dados do levantamento sobre o ajuste feito pelo BB.

Apesar da recente piora de cenário, Itaú, Bradesco e Santander ainda devem mostrar um avanço de crédito maior do que o de 2012. O ponto médio da previsão do Bradesco, de 13%, supera a expansão de 11,5% alcançada no ano passado. O intervalo de 11% a 14% do Itaú é maior que os 7,4% de 2012 e a meta de 10% do Santander supera o índice de 8,3% do ano anterior.

(Colaborou Carolina Mandl)

(Fonte: www.valor.com.br)

BRADESCO TEM UM DOS MELHORES TRIMESTRES

Instituição foi a primeira dos grandes bancos a divulgar seu resultado em 2012

Primeiro dos grandes bancos a divulgar seu resultado no quarto trimestre de 2012, o Bradesco teve no ano passado seu melhor desempenho na história, com lucro contábil de R$ 11,3 bilhões. Trata-se do quarto melhor resultado do setor. Ainda assim, o resultado desagradou o mercado financeiro que apostava em um lucro ainda maior.

Para especialistas,  o spread  bancário – diferença entre os juros básicos da economia (Selic) e os juros cobrados por bancos – permanece muito elevado e permitiu tal resultado. Apontam ainda que os bancos privados estão compensando as reduções das taxas de crédito dos bancos públicos – Banco do Brasil e Caixa – elevando a taxa cobrada por serviços, como a administração da conta corrente.

Com o anúncio – esperado, mas abaixo das projeções do mercado financeiro – as ações do Bradesco caíram mais de 3% na Bolsa de Valores de São Paulo ontem. Nesta terça-feira (29), as ações preferencias mantiveram a espiral de queda, desvalorizando-se 1,15%. No mercado, alguns fatores foram apontados como responsáveis pelo resultado inferior ao esperado, nenhum deles de responsabilidade do próprio banco: o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado e a alta inadimplência.

“Margens exorbitantes”

O spread caiu pela metade e ainda é a taxa mais alta do mundo Para o professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Samy Dana, o resultado explicita as “margens exorbitantes” de lucros que as instituições bancárias têm no Brasil. Ele destaca que há pouca concorrência no setor e a população tem pouca educação financeira, o que gera “ganhos oportunistas”.

“Todo resultado tem dois lados. No caso do setor bancário, quem paga a conta é a sociedade que tem de arcar com as taxas mais altas do mundo. O spread caiu pela metade e ainda é a taxa mais alta do mundo”, criticou.

A carteira de crédito do Bradesco, segundo dados do banco, cresceu 11,5%, frente a projeções entre 13% e 17%. Esse aumento ficou abaixo da média do país, de 16,7%, por conta das baixas taxas praticadas pelos bancos públicos e pela maior cautela do Bradesco nos financiamentos.

O presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse que este ritmo está adequado ao crescimento do PIB no ano passado. O professor de finanças do Ibmec, Nelson de Sousa, avalia que para compensar essa perda, houve aumento das taxas de serviços, como cobrança de tarifa, administração de uma conta e taxa para transferência.

“A redução da taxa básica de juros é um fato que tem sido compensado com mudança na tarifa de cobranças de serviços. De um modo geral, a atividade de crédito também deu uma travada. O PIB virá fraco e isso reflete no resultado e na diminuição dessa atividade”, destacou Sousa.

Inadimplência, spread e cheque especial

Segundo Dana, o negócio principal de um banco é emprestar e captar dinheiro. Para ele, querer apontar a inadimplência como causadora da redução da oferta de crédito e, por consequência, do lucro, é uma “desculpa”:

Se fala muito do Custo Brasil, mas pouco se fala do ‘Lucro Brasil’, essas margens exorbitantes de lucros “O banco não é obrigado a emprestar dinheiro para ninguém. Se ele empresta mais, ele precisa arcar com a inadimplência. É como um restaurante que cobra preços exorbitantes e alega que o preço é assim porque os funcionários desperdiçam comida. A inadimplência pode ser fruto de um sistema de crédito frágil, e o banco tem controle sobre isso”, afirmou Dana.

Para o professor da FGV-SP, é preciso diminuir o spread bancário, porque o juro real – taxa básica subtraída da taxa de inflação – não chega nem a 2%. “O problema é emprestar no cartão de crédito e no cheque especial e cobrar juros de 200% ao ano. É um mar que a ignorância reina e os bancos nadam de braçada. Isso só existe por falta de educação financeira. Se fala muito do Custo Brasil, mas pouco se fala do ‘Lucro Brasil’, essas margens exorbitantes de lucros que alguns setores da nossa economia têm”, disparou Dana.

Ele analisou ainda que a poupança rende um pouco mais do que 5% ao ano, enquanto o cheque especial tem juros de 9% ao mês. “Em um mês, cobra-se mais do que se leva um ano para ganhar. Cartão de crédito e o cheque especial ultrapassam 200% de juros ao ano, e são as duas modalidades mais utilizadas, segundo o Banco Central. Dever no cheque especial é um suicídio financeiro”, classificou.

Falta o BC disciplinar as taxas

Nelson Sousa ressalta que os números dos outros bancos também devem sair bastante favoráveis. Segundo ele, a política econômica do governo de reduzir os juros e ampliar o crédito com taxas menores não atrapalhou a rentabilidade das instituições privadas e, em certos aspectos, aumentou sua credibilidade.

Ele defende ainda que a diminuição acelerada das taxas de crédito em bancos públicos pode acabar caindo no bolso do contribuinte, enquanto os bancos privados preferem seguir passos mais seguros e “não cumprem meta sacrificando a rentabilidade”.

“A redução dos juros não é necessariamente ruim para os bancos, pois a compensação é feita em serviços, que são cobranças mais seguras. Cabe ao Banco Central disciplinar mais essa questão”, apontou.

Fonte Jornal do Brasil – Luciano Pádua